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2.7.09

"Mulher de Um Homem Só", Romance de Alex Castro

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1.7.09

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25.1.08

Liberal Libertário Libertino

Meu outro blog está de casa nova, agora no Interney Blogs. Por favor, atualizem links, bookmarks e feeds RSS, e não esqueçam de ajudar a divulgar.

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5.1.08

Dom Casmurro, de Machado de Assis (Livros Preferidos)

 Dom Casmurro MACHADO DE ASSIS
Antes de começar a escrever sobre Dom Casmurro, eu me pergunto: o que falar sobre um livro que todo mundo leu? E depois, me pergunto também: será que leram mesmo?

* * *

  Otelo Brasileiro de Machado de Assis, ODurante mais de meio século, leu-se Dom Casmurro como um romance de adultério. Nunca houve dúvida quanto à infidelidade da sem-vergonha Capitu. Somente em 1960, em O Otelo Brasileiro de Machado de Assis, Helen Caldwell levantou publicamente a questão: mas será que era?

Trinta anos depois, quando li Dom Casmurro no Ensino Médio, nossa professora fez o tradicional julgamento de Capitu. A maior parte da turma a considerava inocente (inclusive a professora) e um grupo menor defendia sua culpa. Sobrei eu pra ser juiz, o único que não tinha opinião formada.

Meu papel era somente julgar qual dos lados tinha levantado mais fatos e argumentos para provar sua opinião. As discussões foram acaloradas. Quase perdi amigos. Houve gente me acusando nos corredores de "anti-Capitu (ou pró-Capitu) desde criancinha". Mas resta o fato de que muitos adolescentes cultos e interessados tiveram leituras tão divergentes do mesmo livro.

Anos e anos depois, já no doutorado, lemos Dom Casmurro de novo. Dessa vez, o tom foi outro. Ninguém achou que Capitu era uma adúltera - imagina!, esse infeliz teria sido levado pirâmide acima e sacrificado ritualmente aos deuses do politicamente correto! De um modo bem real, a discussão em minha escola foi bem mais rica: mais gente participou, mais pontos de vista diferentes foram levantados, ninguém teve medo de dizer que Capitu era uma vagabunda, o falocentrismo da literatura canônica não foi nem mencionado.

Um comentário que se ouviu bastante no doutorado foram variações de:
"como tanta gente pôde ler esse livro tão errado tanto tempo? É óbvio que o livro é sobre o ciume louco e obssessivo de Bentinho, não sobre uma traição (que nunca existiu) da pobre Capitu! É tão óbvia a reticência do autor quanto à traição rio de Capitu que é simplesmente impossível ler o romance como um simples livro sobre adultério!"
Pronto: o pêndulo agora girou para o outro lado. E lá fui eu ser do contra mais uma vez.   Capitu Sou Eu

Oras, se durante sessenta anos duas gerações de leitores viram o adultério de Capitu como auto-evidente, então é óbvio que o livro permite essa interpretação. Dizer o contrário é muita arrogância: é imputar uma cegueira imbecil aos leitores do passado. Equivale a dizer: pôxa, se não fôssemos nós, os leitores inteligentes de hoje, o segredo de Capitu estaria tão enterrado quanto Tutankamon antes de Lorde Carnavon. Somos o máximo!
(Dalton Trevisan, autor de Capitu Sou Eu, em entrevista a FSP, 23/5/92: "Até você, cara - o enigma de Capitu? Essa, não: Capitu inocente? Começa que enigma não há: o livro, de 1900, foi publicado em vida do autor - e até sua morte, oito anos depois, um único leitor ou critico negou o adultério?")
O lindo de Dom Casmurro é que não há saída para o enigma. Nunca vai haver resposta certa, por mais que ideólogos de ambos os lados dêem soquinhos histéricos no chão e gritem suas verdades. Cada argumento sempre corta para os dois lados.   História da Literatura Brasileira

Por exemplo, os defensores de Capitu alegam em seu favor a reticência de Bentinho: se houvesse realmente alguma prova concreta do adultério, ele teria dito e feito fanfarra. Se não fala nada, é porque não há o que dizer. Já os primeiros leitores do livro talvez pensassem o mesmo que José Veríssimo, um dos principais críticos literários da época, na História da Literatura Brasileira (1915):
"Era impossível em história de um adultério levar mais longe a arte de apenas insinuar, advertir o fato sem jamais indicá-lo. Machado de Assis é, com a justa dose de sensualismo estético indispensável, um autor extremamente decente. Não por afetação de moralidade, ou por vulgar pudicícia, mas em respeito da sua arte. Bastava-lhe saber que a obscenidade, a pornografia, seriam um chamariz aos seus livros, para evitar esse baixo recurso de sucesso, ainda que a fidalguia nativa dos seus sentimentos não repulsasse tais processos."
E então, pergunto eu, Bentinho silencia porque nunca houve adultério e não havia o que dizer, ou porque Machado é um "autor extremamente decente" e não havia porque dizer com todas as letras o que já era tão óbvio que tinha acontecido?

* * *

Para manter as coisas em perspectiva, algumas opiniões de alguns dos primeiros críticos de Dom Casmurro, gente (sempre vale a pena lembrar) tão inteligente e observadora quanto nós, mas filhos de outra época. Primeiro, mais José Veríssimo:
"Dom Casmurro é exemplo desta sua superior faculdade de romancista, comprovada aliás em toda a sua obra. É o caso de um homem inteligente, sem dúvida, mas simples, que desde rapazinho se deixa iludir pela moça que ainda menina amara, que o enfeitiçara com a sua faceirice calculada, com a sua profunda ciência congênita de dissimulação, a quem ele se dera com todo ardor compatível com o seu temperamento pacato. Ela o enganara com o seu melhor amigo, também um velho amigo de infância, também um dissimulado, sem que ele jamais o percebesse ou desconfiasse."Ensaios Escolhidos
Augusto Meyer, Ensaios Escolhidos, c.1940:
"Capitu mente como transpira, por necessidade orgânica. (...) fêmea feita de desejo e de volúpia, de energia livre, sem desfalecimentos morais (que) não sabe o que seja o senso de culpa e do pecado." [gente, que livro que esse homem leu?! Juro que só pode ter sido uma cópia diferente da minha!]
Barreto Filho, 1947:
"Essa infidelidade (de Capitu) excede o conflito moral que os romances exploram no adultério. O livro não tem semelhante vulgaridade. É uma falha mais radical, uma traição à infância, uma negação da poesia da vida, tanto mais dura, quanto se tem a impressão de que tinha de ser assim./.../ Infiel é a vida. Capitu é a imagem da vida."
* * ** * * Dom Casmurro MACHADO DE ASSIS

Defendo a ambiguidade. Eu não sei. Vai ver nem o próprio Machado sabia. O romance não é nem sobre uma adúltera safada que trai um pobre burguesinho (a certeza do adultério), nem sobre um homem obcecado por ciúmes que persegue sua inocente esposa (a certeza do não-adultério). O romance é sobre a dúvida. Se você chega em Dom Casmurro com certezas, já começou errado.

Mais interessante do que tentar adivinhar o que se passava na cabeça do autor é estudar como essas duas leituras tão óbvias e tão distintas refletem diferentes momentos da cultura brasileira. O livro continua o mesmo há 108 anos: quem mudou fomos nós. Uma história das leituras de Dom Casmurro é a própria história cultural do Brasil.

* * *
Outros livros sobre Dom Casmurro e Capitu:

  Capitu      Dom Casmurro: Escritura e Discurso: Ensaio em Literatura e Psicanálise

  Capitu: Memórias Póstumas         Amor de Capitu

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Livros Favoritos Comprados e Não Comprados

Sobre a lista dos livros preferidos (apaguei o post original, pois os livros estão todos listados abaixo e não quis repetir), o Ulisses fez uma pergunta interessante:
Alex, vc diz q não compra livros... porém, esses vc comprou ou tem um exemplar com vc em casa (aqui ou nos EUA)? Consulta eles com freqüência? (o Whitman eu aposto q sim)
Vai parecer engraçado pra quem conhece a minha casa, vai parecer engraçado até pra mim, que passei o dia de ontem carregando parte dos meus milhares de livros do depósito para o apartamento novo, mas vá lá. Eu realmente evito comprar livros. Acho que é um dinheiro meio jogado fora. Aquilo pesa, ocupa espaço, ocasionalmente dá cheiro ruim na casa, muitas vezes você compra e nem lê, quase sempre você compra e nunca relê. Parece que as pessoas gostam mais de ter o troféu na estante da sala ("olha os livros que eu li!") do que os livros em si.

Qualquer livro que eu possa não comprar eu não compro. Empresto dos amigos, leio na web, pego na biblioteca. Obras em domínio público não tem porque comprar. Já perdi a conta de quantas vezes li Whitman e Thoreau - sempre por ebook.

Hoje em dia, eu só compro três tipos de livros:

1) Os que eu amo e adoro e quero ter por razões emocionais - mas são pouquíssimos.
2) Os que preciso pra trabalhar, que vou riscar, sublinhar, escrever na margem.
3) Os recém-lançados - e eu tento sempre encontrar primeiro um amigo que me empreste.

Pra Nova Orleans, eu só levei os segundos e alguns poucos dos primeiros. Whitman foi. Mas nunca abri. Quando preciso dele, leio no computador.

Só por curiosidade vamos ao breakdown da lista de livros favoritos:

Livros que eu li emprestado e nunca comprei
Sem Tesão Não Há Solução ROBERTO FREIRE
Na verdade, pedi um "empréstimo indeterminado" à minha amiga e lhe agradeci por ter me emprestado um dos livros mais importantes que já li. A nossa edição tem um blurb MEU na contracapa. Estou há um ano e meio pra ligar pra editora e pedir um exemplar de divulgação.

Livros que eu li da biblioteca e nunca comprei
 Quarup Amada, por Morrison
Sério. Vejam só. São dois livros maravilhosos, magistrais, sensacionais. Mas já li. Não vou ler de novo. Que bem me fará fisicamente *ter* esses livros? Se quiser ler de novo, pego na biblioteca.

Livros que eu li da biblioteca e depois comprei
     Memórias de Lázaro  ADONIAS FILHO O Senhor dos Anéis Dom Casmurro MACHADO DE ASSIS  O Cemitério dos Vivos, por Lima Barreto     Crônica da Casa Assassinada LUCIO CARDOSOSobre Heróis e Tumbas ERNESTO SABATO
E mesmo esses foram comprados "mais ou menos". Senhor dos Anéis eu comprei de novo mesmo. Crônica da Casa Assassinada foi uma loucura perdulária de um dia com muito dinheiro na mão. Memórias de Lázaro estava quase de graça num sebo. Já os outros vieram num conjunto: comprei as obras completas de Machado, Sábato e Lima Barreto, e as obras que eu já tinha lido vieram junto.

Livros que eu li da internet e depois comprei
Folhas das Folhas de Relva, de Walt WhitmanWalden ou a Vida nos Bosques e a Desobediência Civil, por Henry David Thoreau
Mesmo assim, quando quero ler, leio na internet que é mais prático. Mas são bons demais.

Livros que ganhei de presente
 Romance d´A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-VoltaOn the Road, de Jack Kerouac  Cavaleiro Inexistente, O por Italo Calvino   Mrs. Dalloway VIRGINIA WOOLF  Defeito de Cor, UmTrilogia Autobiográfica, por Gorki
Geografia dos Mitos Brasileiros, de Luís da Câmara Cascudo
O Suassuna e a Ana Maria foram exemplares de divulgação da editora. Mrs Dalloway foi presente da Ana Lúcia (muito obrigado!), o Cascudo de um leitor que eu agora não lembro (perdão!!), o Górki do meu pai, o Calvino de um amigo e o Keroauc, do povo de Berkeley, Califórnia - comprei com um vale-presente.

Livros que eu li o meu próprio exemplar
 47 Contos de Isaac Bashevis Singer  Insustentável Leveza do Ser, A Milan Kundera Declínio e Queda do Império Romano, por Edward Gibbon Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freyre Tropico de Câncer HENRY MILLER  Esplendor de Portugal, O ANTONIO LOBO ANTUNES   Novelas de Torquemada, As BENITO PEREZ GALDOS Amor Insensato, por Tanizaki  Terra Sonâmbula, por Mia Couto Discurso do Método RENE DESCARTES Breve Romance de Sonho Hora da Estrela, A CLARICE LISPECTOR   Água Viva CLARICE LISPECTOR   Grande Sertão: Veredas JOAO GUIMARAES ROSA Dama do Cachorrinho e Outros Contos, A  O Cemitério dos Vivos, por Lima Barreto  Colméia, A por Camilo José Cela  O Enteado, por Saer Pais e Filhos, por Turgueniev Morro dos Ventos Uivantes, O EMILY BRONTECem Anos de Solidão GABRIEL GARCIA MARQUEZFicções JORGE LUIS BORGESBíblia do Peregrino O Castelo, FRANZ KAFKA

* * *

Aproveitei a virada de ano pra atualizar minha lista de livros recomendados, na coluna direita. Esses são os livros que eu amo, que mudaram e moldaram minha vida, que fizeram de mim o homem que eu sou. Recomendo todos, sem exceção. Planejo fazer um pequeno textinho sobre cada um deles. Podem cobrar. Os dois primeiros já estão prontos: A Colméia e Dom Casmurro.

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29.10.07

Livros com Frete Grátis Só Hoje

Só hoje, Dia do Livro, o Submarino está dando frete grátis nas compras acima de R$49,90. Depois não digam que não dou dica boa.

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3.10.07

Livraria Popular: 10 Mil Livros a R$10

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14.9.07

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